A Microsoft adquire por US$ 8,5 bilhões a maior empresa de telefonia pela internet do mundo. É a cartada mais ousada de Bill Gates para avançar em comunicações e tirar sua operação online do vermelho
Por Bruno Galo
Confira entrevista com o editor de tecnologia da IstoÉ DINHEIRO, Clayton Melo
Uma das estrelas mais cobiçadas do mercado digital, o Skype era assunto na mídia americana desde o início de maio. Notícias em sites, blogs e jornais davam conta de que a maior empresa de telefonia pela internet do mundo era alvo de disputa entre Google e Facebook, que estariam dispostos a pagar, cada um, até US$ 3,5 bilhões para ficar com a empresa.
A Microsoft, que não vinha sendo mencionada entre as possíveis interessadas, chegou antes e anunciou a compra do Skype na terça-feira 10, atropelando os rivais. Um detalhe aumentou o frisson em torno da novidade: a companhia de Bill Gates fechou o negócio, em dinheiro, por US$ 8,5 bilhões, mais de duas vezes o montante cogitado pelo Google e pelo Facebook. Trata-se da maior aquisição já feita Microsoft em sua trajetória. Mais que isso, é a maior compra de uma empresa de internet desde o estouro da bolha pontocom, em 2000.
Além do investimento polpudo, outros fatores chamam a atenção para o negócio. Um deles é o fato de a transação ser anunciada na mesma semana em que a rival Apple foi eleita a marca mais valiosa do planeta, conforme o ranking elaborado pela consultoria Milward Brown – a empresa de software ocupa a quinta colocação no estudo. Mais inquietante que isso, porém, são as motivações que levaram a Microsoft a dar um lance desse porte.
A estratégia significa uma nova tentativa de virar o jogo a seu favor na área de internet. Exceto pelo seu buscador, o Bing, que cresce e ensaia fazer sombra ao líder Google, e pelo seu comunicador instantâneo Messenger, a rede tem sido uma fonte permanente de dissabores. Só para dar uma ideia, o prejuízo de sua divisão online desde 2006 supera os US$ 8 bilhões, segundo dados da própria Microsoft. “Juntos, vamos construir o futuro da comunicação em tempo real para que todas as pessoas possam facilmente se conectar à família, amigos, clientes e colegas em qualquer lugar do mundo”, declarou Steve Ballmer, CEO da Microsoft, durante o anúncio do negócio.
O braço direito de Bill Gates declarou que vai integrar a tecnologia do Skype aos seus produtos, como os sistemas operacionais Windows, para PCs, e Windows Phone 7, desenvolvido para smartphones. A união passará também pelo seu videogame Xbox 360 e pelo reforço nos serviços de comunicação já oferecidos pela Microsoft, como o Messenger e o Lync, uma espécie de MSN corporativo, com o qual espera faturar mais de US$ 1 bilhão de receita nos próximos anos.
Steve Ballmer, da Microsoft: "Juntos, vamos conectar família, amigos e clientes de qualquer lugar"
Versões do Skype para plataformas rivais, como o Android, do Google, e o iOS, da Apple, serão mantidas, segundo a Microsoft. Especula-se que possa haver uma parceria com o Facebook, com o qual a empresa de software mantém uma relação próxima e amigável. “Há, sem dúvida, um imenso potencial nesta aquisição, mas teremos de esperar para conferir”, diz Jeremiah Owyang, analista da consultoria americana Altimeter Group. “A questão é que ultimamente a Microsoft tem parecido grande demais para inovar.”
Dono de uma receita de US$ 860 milhões e um prejuízo de US$ 7 milhões em 2010, o Skype vai se tornar uma divisão da Microsoft e continuará sob o comando de seu atual CEO, Tony Bates. O negócio encerra um período relativamente curto vivido depois que a companhia de comércio eletrônico eBay, que desembolsou US$ 3,1 bilhões para adquirir o Skype, em 2005, resolveu reduzir sua participação no empreendimento, em função dos prejuízos.
Niklas Zennström, do Skype: o fundador da empresa, que tem nove milhões de clientes pagos no mundo,
investiu em novos recursos e expandiu o serviço para os setores corporativo, televisões e smartphones
Isso aconteceu em novembro de 2009, quando o fundo de private equity Silver Lake liderou a compra de 56% do Skype, enquanto outros 14%, por uma questão judicial, voltaram para as mãos dos fundadores Niklas Zennström e Janus Friis. A venda de participação colocou o valor de mercado do Skype em US$ 2,7 bilhões. No ano passado, a empresa de telefonia pela internet investiu pesadamente em novos recursos, expandindo sua plataforma para corporações, televisões e, principalmente, smartphones.
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